Lanterna Verde
Um menino com manias sinceras.
Opiniões formadas e, nem por isso,
Difícil de se influenciar.
Como quase todo menino...
Brincava de pique-esconde,
Apagava o quadro para a professora,
Esquecia a merenda,
Levava nem tudo na brincadeira.
Gostava de desenhar, pensar no futuro,
Sonhar de olhos abertos.
Abertos para o mundo.
E criava viagens infinitas.
Depois o menino virou rapaz,
Aos poucos.
Talvez mais devagar que a maioria.
Porque ele ainda pensava no futuro
E se perdia olhando as nuvens,
E continuava criando viagens infinitas.
Começou a acreditar em muitas coisas,
Desacreditou de outras.
Pensou seguir,
Raramente também em desistir.
Pensou ser feio demais.
Bobo demais. Inocente demais.
Vulnerável demais.
Fechou os olhos e criou uma armadura que o tornou invencível.
E o rapaz virou homem.
Aos poucos.
Talvez mais devagar que a maioria.
Poque ele ainda pensava no futuro
E contemplava paisagens da varanda,
E continuava criando viagens infinitas.
Desejou o amor.
Passou pela dor.
Quis se desapegar, quis voltar atrás,
Quis entender a vida. Quis escalar o Everest.
Quis se perder em alguma rua deserta.
Quis apagar as luzes,
Deitar. Chorar.
Quis enfeitiçar,
Quis acreditar.
Quis que o mundo o amasse.
Quis que tudo se resolvesse.
E ele usou sua armadura.
E se tornou invencível.
E hoje, o menino é também rapaz e também é homem.
Afinal ele sempre continuou criando viagens infinitas.
O menino que se faz rapaz e o rapaz que se faz homem
E é menino, homem e rapaz,.
Deixa de lado um pouco a armadura invencível.
E se torna primeira pessoa e pensa...
Penso que é sempre a mesma situação.
Penso que é difícil me entender.
Penso que poucos se arriscam de verdade.
Penso que nem sempre é uma questão se sorte.
E penso que sinceridade assusta.
Penso que o mundo gira rápido demais,
E as vezes esquece de girar.
E eterniza momentos desnecessários.
Penso que sorrisos verdadeiros
Crescem nas terras férteis de almas fortes,
E anseiam pelo caminhar entre eles, desvendando-os.
Um caminhar sincero.
Penso que não posso mudar muito.
Penso que não vou agradar a todos.
Penso ser justo em ser franco.
Penso que preciso de oportunidades.
E penso que as vezes sou apenas um tolo...
Um menino influenciável,
Um homem invencível,
Um coração tenro,
Uma alma verdadeira.
Penso que tenho muito a dizer,
Pouco a criticar
E nada a reclamar.
Mas mesmo assim reclamarei.
Pois o menino, rapaz e homem que sou,
Apenas deixou a armadura por um segundo.
E tudo volta ao normal em 3,2,1.
"No dia mais claro,
Na noite mais densa,
O mal sucumbirá ante a minha presença.
Todo aquele que venera o mal há de penar,
Quando o poder do Lanterna Verde enfrentar!"
Gianluca di Valdo, 25 de Setembro de 2011.
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